O split payment é uma das mudanças da reforma tributária que mais assusta o caixa das transportadoras. A ideia é que parte do IBS e da CBS seja separada no próprio momento do pagamento e enviada direto ao fisco, de modo que o fornecedor receba só o restante. Para quem recebe frete, isso muda o que cai na conta e o prazo de quando o dinheiro fica realmente disponível.

Esse é um dos temas mais buscados do momento, e também um dos que ainda dependem de regulamentação. Abaixo está o que já se sabe, o que está em aberto e como se preparar.

O que é o split payment

Pela Lei Complementar 214/2025, com as alterações da Lei Complementar 227/2026, o IBS e a CBS ligados a uma operação podem ser segregados na liquidação financeira e destinados diretamente à administração tributária, enquanto o fornecedor recebe o valor restante. É um dos mecanismos de extinção do débito tributário previstos na lei, ao lado do recolhimento tradicional.

Na versão padrão, o pagamento é relacionado ao documento fiscal. Com consulta em tempo real, o sistema pode reter apenas a diferença entre o débito do fornecedor e os créditos dele. Sem essa consulta, o tributo é segregado e o excedente pode ser devolvido depois. Existe ainda um procedimento simplificado, com percentual pré-fixado, para adquirentes que não estão no regime regular.

Quando começa

Não há data única. As publicações consultadas indicam que a implantação é gradual a partir de 2027 e que, na primeira etapa, o uso é facultativo, apenas no procedimento padrão e para adquirentes no regime regular, conforme ato conjunto da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS. A lei prevê esse ato conjunto para fixar o cronograma e as hipóteses de adoção facultativa. Os testes de integração da plataforma pública começaram em outubro de 2026, sem efeito em transações reais.

Declarações de autoridades reportadas por veículos especializados falam em início gradual, começando por meios de pagamento como transferência eletrônica e Pix, e em obrigatoriedade entre empresas apenas depois, possivelmente em 2028. Isso ainda não é norma publicada, então deve ser tratado como expectativa e conferido a cada nova regulamentação.

O que muda no recebimento do frete

O efeito depende do regime tributário de quem presta o serviço e de quem contrata:

O impacto de caixa varia, e a análise de quanto sobra na conta é estimativa de cada empresa. O ponto central é que o crédito do tomador passa a depender, em regra, da extinção do débito do fornecedor, e o split é uma das formas de isso acontecer.

Cuidados operacionais para o frete

  1. Vincular pagamentos aos documentos: faturas com vários CT-e exigem ligar cada pagamento aos documentos fiscais, e os campos preparatórios já aparecem nas notas técnicas de 2026.
  2. Descontos e cancelamentos: eles precisam refletir no documento fiscal para que a segregação acompanhe o valor correto.
  3. Cadastro de tomador, pagador e adquirente: dados errados geram divergência entre o pagamento e a nota.
  4. Antecipação de recebíveis: ela não altera a segregação e reduz o líquido projetado, então a conta do capital de giro precisa ser refeita.
  5. Pagamentos parcelados: a segregação ocorre proporcionalmente em cada parcela.

Esses cuidados se conectam aos documentos que já são motivo de multa, como mostra o artigo sobre CT-e e MDF-e, e à contratação de autônomos, tema de TAC, TAC equiparado, ETC e transportadora.

O que ainda depende de regulamentação

Perguntas frequentes

O split payment já é obrigatório em 2027?

Segundo as publicações consultadas, a primeira etapa é facultativa e gradual. A obrigatoriedade entre empresas aparece apenas em declarações e ainda não em norma publicada.

Vou receber o frete inteiro?

Não necessariamente. Parte do IBS e da CBS poderá ser separada na liquidação, mas o sistema considera os créditos do fornecedor, então o valor retido depende de cada operação.

Quem é do Simples Nacional sofre o split?

O Simples tem regras próprias. A empresa pode permanecer no regime do DAS ou optar pelo regime regular, e cada caminho muda o crédito que o cliente aproveita.

O que fazer agora?

Organizar a vinculação entre pagamentos e CT-e, revisar o capital de giro considerando o novo prazo de disponibilidade do dinheiro e simular o efeito no seu regime.

Como a Vexter ajuda

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Conteúdo informativo, elaborado em 30/10/2026 com base em publicações especializadas que citam a Lei Complementar 214/2025 e a Lei Complementar 227/2026. A regulamentação do split payment ainda está em andamento, e datas e regras devem ser confirmadas nos atos oficiais. Não substitui a análise do seu caso.

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